Esse não é mais um daqueles posts genéricos sobre como as relações humanas influenciam a motivação e produtividade no trabalho. Aqui, nós vamos um pouco mais a fundo. Vamos falar sobre uma teoria que surgiu nos anos 1930, nos EUA, discutindo relações humanas nas organizações. Está pronto para aprender? Então, vamos lá.

A teoria das relações humanas

A teoria das relações humanas surgiu nos anos 1930, a partir dos estudos realizados na fábrica de Hawthorne Works, no estado de Illinois – EUA. Estes estudos avaliaram como pequenas mudanças no ambientes, até mesmo na iluminação, podiam afetar a produtividade dos trabalhadores (o que veio, então, a ser conhecido como o “Efeito Hawthorne”).

Então, o psicólogo australiano Elton Mayo decidiu analisar os estudos Hawthorne, e apontou três descobertas importantes. Em primeiro lugar, aspectos naturais das relações sociais têm mais poder do que estruturas organizacionais. Em segundo, existe uma necessidade de comunicação em duas vias entre trabalhadores e gestor. Em terceiro lugar, é essencial que haja liderança para informar metas à equipe e garantir uma tomada de decisões eficaz.

Com base nisso, a teoria das relações humanas postulou que as relações sociais também influenciam a produtividade. Posteriormente, a teoria das relações humanas deu origem ao campo da Gestão de Recursos Humanos.

A relação entre administração e psicologia

A psicologia estuda o comportamento e o pensamento, e tem uma participação em todas as áreas de nossa vida — claro, não é diferente com a administração.

Os gestores lideram suas equipes através de planejamento, organização, monitoração ou controle, motivação, metas e normas. Tudo isso requer uma percepção e uma análise de cada funcionário individualmente, bem como da equipe. “Por que será que João fez isso? Qual será a maneira mais adequada de trazer um feedback negativo para Maria? Será que José e Rita possuem um bom perfil para trabalhar juntos? A postura de Pedro está afetando o moral da equipe?”. Isso tudo é psicologia.

O único problema é que, na maioria dos casos, esta é uma psicologia “amadora”. Nós não estudamos para exercê-la, e nos guiamos pela nossa intuição e senso comum. No entanto, na gestão de uma equipe (ou de uma empresa), intuição e senso comum nem sempre são o suficiente. Portanto, para que o gestor possa liderar sua equipe com mais eficiência, aprender um pouco de psicologia – teorias e práticas – é uma ferramenta de grande valor.

O papel do gestor

As relações humanas, como já vimos, possuem realmente um papel importante dentro de uma organização, pois estão relacionadas à satisfação, motivação e produtividade dos funcionários. E o gestor está em um papel de destaque nestas relações, pois deve ser a referência para toda a sua equipe. Assim, ele precisa ter, além do cargo, também uma postura compatível — uma postura de liderança. Somente assim haverá simetria entre a estrutura organizacional e as relações naturais.

Além disso, o gestor é o tomador de decisões e o único com autonomia para interferir nas relações humanas da equipe. É seu papel observar a interação entre os membros de sua equipe, identificar os atritos e as afinidades, e desenvolver estratégias para dinamizar, de uma maneira positiva, essas interações. Lembre-se: nem sempre o conflito no ambiente de trabalho é negativo; você pode ler mais sobre isso neste artigo.

Ricardo A. M. Barbosa é diretor executivo da Innovia Training & Consulting, professor de programas de pós-graduação em conceituadas instituições de ensino, Consultor em Gestão de Projetos há 15 anos e já atuou como executivo em grandes empresas como Ernst & Young Consulting; Wurth do Brasil; Unibanco; Daimler Chrysler.

Você observa impactos diretos da relação entre funcionários, ou da sua relação com sua equipe, sobre a produtividade cotidiana do setor? Como você age para melhorar estas relações? Até que ponto você consegue interferir nestas relações? Deixe a sua opinião nos comentários!

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