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Segurança: Uma das Dimensões da Gestão Polifocal

A gestão polifocal tem cinco dimensões, das quais a segurança é uma delas. A segurança no modelo de gestão polifocal é uma das pernas do tripé do LSD: lucro, segurança e desenvolvimento, que deve funcionar como limitador do excesso de foco nas demais dimensões: lucro, desenvolvimento, qualidade de vida de líderes, de liderados e respeito ao meio ambiente, que contribui para a perenidade da organização. Filosoficamente, nada em excesso!

Visa compatibilizar os interesses de todas as partes interessadas: acionistas, clientes, colaboradores, fornecedores, financiadores e comunidade, com foco harmônico nas cinco dimensões para construir a longevidade organizacional. Conhecemos organizações com excessivo de foco na lucratividade ou em vertiginoso ritmo de crescimento que se esqueceram da ética, ou se permitiram ser excessivamente dependentes de um cliente ou de um fornecedor ou de um talento humano, - mesmo que se trate do fundador ou do líder maior, principalmente, se for um líder carismático -, ou que desrespeitaram as posturas públicas, ou que agrediram de forma significa o meio ambiente ou a comunidade. Um desses motivos ou a combinação de dois ou mais deles, não obstante a organização ter elevada lucratividade e vertiginoso crescimento acarretou, no mínimo, profundas dificuldades aos gestores para mantê-la atuante. Algumas faliram!

Norberto Odebrecht diferencia o empresário tanto do missionário – indivíduo desprovido de motivações materiais –, como do mercenário – indivíduo voltado unicamente para o lucro a qualquer custo humano ou social, in no livro Ser Empresário. Machado de Assis complementa com a observação: ambos desejam a mesma coisa: reconhecimento!

Existem várias ações empresariais que tanto podem ser classificadas como segurança ou como desenvolvimento, entre elas estão: o treinamento e a educação continuados dos talentos humanos da organização. São fundamentais a sustentabilidade das atividades empresarias. A busca pelo líder da indispensável terceira opinião que o ajudará a errar menos. O erro é condição humana, que pode ter sua ocorrência reduzida pelo envolvimento de terceiras pessoas que tenham outros olhares. A primeira opinião é a do executivo, a segunda dos membros de sua equipe, que pode ser modelada pelo líder ou orientada de forma intencional pelos liderados para agradar ou para não contrariar o “líder” e a terceira de um profissional especializado e competente, que não esteja condicionado pela cultura organizacional, que tenha completa independência moral com relação ao líder, sólida formação acadêmica e ampla experiência como executivo e como estudioso do funcionamento das organizações e dos mercados, tenha bons conhecimentos sobre o comportamento humano nas empresas, seja ético, confiável e que mantenha confidencialidade sobre os dados e informações a que teve acesso. Este profissional poderá ser um coach que pode contribuir com a terceira opinião, além de, também, reduzir a situação de isolamento a que todo executivo está exposto e evitar o auto-engano tentador, a que estão sujeitos empresários e executivos de sucesso, de que se bastam a si mesmos.

Não pode faltar a analise técnica-financeira dos índices de liquidez, de endividamento, rentabilidade, retorno sobre o investimento, capacidade de geração de caixa, origem e aplicações de recursos, etc.

Relevante também para a segurança é o acompanhamento das inovações tecnológicas, da tendência e mudança de hábitos dos consumidores, dos movimentos dos concorrentes, da alteração de insumos, das regulamentações e normas governamentais, etc.

Por não terem usado a segurança como limitador do excesso de foco no lucro, no cliente, - o que você entende por ser um bom cliente? - no desenvolvimento de novos produtos, no crescimento do faturamento, como se faturamento fosse necessariamente correlacionado ao lucro, que entraram em regime de recuperação judicial ou mesmo faliram?
Aqui também vale a máxima: o excesso de proteção desprotege. Elevado índice de liquidez custa caro à organização – os recursos próprios, são os mais caros do mercado e aos acionistas, pode limitar o lucro, a satisfação dos clientes, dos colaboradores e o desenvolvimento do negócio. Continua valendo: nada em excesso!
Gerir para a longevidade da organização com maior grau de certeza de conseguir chegar próximo da perenidade organizacional, requer ter foco  harmônico e circunstancial nas cinco dimensões da gestão polifocal.

Jansen de Queiroz Ferreira

 

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